Plantão Saúde
Santa Casa suspenderá procedimentos não-urgentes
Com R$ 510 milhões em dívidas, hospital está atendendo pacientes acima da capacidade
Terça-feira, 02 Agosto de 2022 - 18:00 | Isabela Duarte
“Nós não somos insensíveis, temos solidariedade com nossos pacientes e vamos continuar atendendo com todas as dificuldades”, diz o presidente da Santa Casa de Campo Grande, Heitor Rodrigues Freire, sobre o contingenciamento que inicia nesta quinta-feira, dia 4 de Agosto. Sem medicamentos e recursos, casos de emergência serão prioridade do hospital, que aguarda negociação com a Prefeitura.
A nota, publicada pela Santa Casa nesta terça-feira, 2 de Agosto, afirma que serão suspensos "todos os procedimentos que não se caracterizarem como urgência e emergência; atendimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas”, após 48h da publicação.
Conforme Heitor, na presidência desde setembro de 2020, o valor do pagamento realizado pelo poder público é o mesmo desde 2019, aproximadamente R$ 23,8 milhões, e não é o suficiente para manter as despesas, que sofre impacto do aumento dos valores de medicamentos, principalmente após a pandemia da Covid-19.
Sedativos, bloqueadores neuromusculares (usados para intubação de pacientes) e até mesmo soro fisiológico estão em falta no mercado. Por exemplo, o contraste radiológico Ioexol, usado para realizar exames, como tomografia, subiu 829,6%, passando de R$45,80 para R$380,00
Espera - E quem mais sofre com toda a questão burocrática do hospital é a população. Os corredores da Santa Casa voltam a lotar, com macas, cadeiras e poltronas sendo ocupadas por vítimas de infarto, AVC e acidentes, que são atendidas da melhor forma possível pela equipe médica.
O gerente de fazenda, Levino Pereira da Costa, de 65 anos é um dos “pacientes do corredor”. Após ter um infarto na noite dessa segunda-feira (1º), ele foi para a Santa Casa e está passando por exames, reclamando de falta de ar e tosse, que não o deixam dormir.
“Fazer o que?”, diz quando questionado sobre dormir no corredor, “os médicos estão fazendo o que podem. Estou sendo muito bem atendido, com muita alegria por estar aqui. Eu abraço os médicos de coração”, diz sempre com um sorriso no rosto e na companhia da esposa.
Já o carpinteiro Luiz Mário Silva, de 42 anos, está acompanhando a mulher, Jaqueline, que tenta descansar enquanto aguarda o resultado de exames. Também na noite desta segunda-feira (1º), ela reclamou de dores de cabeça e sofreu um desmaio. Chegando na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Moreninhas, foi encaminhada para o hospital com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
“Estamos aguardando aqui [no corredor] porque lotou a área verde”, diz o marido. Mas apesar do local improvisado, todos os pacientes estão sendo atendidos com dedicação e rapidez pela equipe.
Tentativa de acordo - Com a verba repassada pela Prefeitura sendo insuficiente, a Santa Casa precisou aderir a empréstimos e financiamentos, acumulando dívida de R$ 510 milhões. “A situação é insustentável, cabe ao Município arcar com este custo”, afirma Heitor.
“Nós recebemos pela prestação de serviço. A Prefeitura não faz nenhum repasse. O Governo do Estado está pronto para nos ajudar. O governador já informou que vai ajudar, mas depende também da Prefeitura, porque atendemos 70% da população de Campo Grande”, destaca.
Em 2017, uma auditoria federal fez um levantamento dos custos da Santa Casa, que está em julgamento de segunda estância, pois já foi declarado que o valor pago pela Prefeitura é insuficiente para os custos hospitalares. Hoje, com a correção desse valor, devem ser repassados R$ 500 milhões ao hospital, de acordo com a determinação da Justiça.
“Esse desequilíbrio vem de muito tempo. Com essa auditoria federal está provada essa defasagem. Tudo o que estamos fazendo é baseado em dados reais. Hoje nós estamos pagando para trabalhar, porque estamos aqui para servir à população”, diz Heitor Rodrigues Freire, que enfatiza que irá recorrer à Justiça novamente caso a Prefeitura não proponha novo acordo.
Número de Leitos - A situação também está sobrecarregada nos demais setores do Hospital. De acordo com a assessoria, são atendidos muito mais pacientes do que a capacidade de cada unidade da Santa Casa. O que se vê são diversas macas “encaixadas” nas salas, para tentar suprir a demanda.
No contrato com a Prefeitura, são pagos sete leitos na Unidade de Terapia Intensiva do Pronto Socorro (UTI PS) e seis leitos em cada Unidade de Decisão Clínica (UDC) Crítica e Não Crítica. As vagas não são suficientes.
Assim, para continuar a atender esses pacientes com risco iminente à vida, as cirurgias eletivas e o ambulatório estão suspensos e quem aguardava procedimentos, poderá remarcá-los somente após a resolução do impasse com a Prefeitura.
“Nós estamos fazendo das tripas coração literalmente, mas agora já acabaram as tripas”, afirma o presidente, Heitor Freire. Uma proposta já foi encaminhada à Prefeitura no dia 5 de Julho, mas não houve mais negociações da parte pública após a contraproposta.
Outro lado - A equipe do Diário Digital conversou com a Prefeitura de Campo Grande, que se posicionou “aberta às tratativas visando sempre assegurar a devida assistência à população”.
Em nota, a assessoria informa que “O Município não possui nenhuma pendência financeira com o hospital. Todos os repasses estão sendo feitos em dia, inclusive com valores a maior do que está previsto em convênio através de emendas e incentivos”.
“Todos os repasses foram feitos dentro do que estava pactuado. De janeiro a julho deste ano, o hospital já recebeu R$ 173,3 milhões. Desde 2017 foram mais de R$ 1,6 bilhão destinados à Santa Casa. Cabe ao hospital esclarecer sobre eventuais problemas gerenciais que culminaram no alegado déficit”, conclui.
Santa Casa - Confira a nota emitida pela Santa Casa de Campo Grande na íntegra:

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