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Polícia

'Ele não estava escondido', afirma defesa do suspeito de matar jogador de futebol

Danilo Alves Vieira da Silva foi preso na quarta-feira, em uma casa de difícil acesso, em Iguatemi (MS)

Sexta-feira, 18 Agosto de 2023 - 15:10 | Marina Romualdo


'Ele não estava escondido', afirma defesa do suspeito de matar jogador de futebol
O advogado Higo Ferre durante a entrevista com a reportagem (Foto: Luiz Alberto)

Na última quarta-feira, 16 de Agosto, Danilo Alves Vieira da Silva, foi preso por ser o principal suspeito de matar o jogador de futebol, Hugo Vinícius Skulny Pedrosa, de 19 anos, em uma residência de difícil acesso no município de Iguatemi (MS). A defesa do autor negou que o jovem estava escondido na cidade vizinha e informa que já foi pedido a revogação da prisão preventiva.

O advogado de Danilo, Higo Ferre conversou com o Diário Digital e afirmou que a situação que está em cena é oportuno para esclarecer algumas coisas. "Danilo se encontra preso preventivamente, existia um mandado de prisão preventiva que foi cumprida na quarta-feira (16). Ele já passou por audiência de custódia na tarde de quinta-feira (17) e continua em Iguatemi e, na semana que vem deve ser transferido para alguma penitenciária. Sendo assim, já fizemos o pedido de revogação da prisão preventiva, em sequência, já fizemos uma manifestação do Tribunal de Justiça pugnando o habeas corpus dele e, tudo aquilo que for pertinente no processo será feito".

Indagado sobre o depoimento de Danilo durante a audiência de custódia, o advogado afirma que o cliente ficou em silêncio, pois, não tinha mais o que relatar. E, que irá falar apenas diante do juiz. 

'Ele não estava escondido', afirma defesa
(Foto: Luiz Alberto)

Ainda segundo a defesa, ele está no caso desde que os fatos vieram à tona. "Então, Danilo foi ouvido no primeiro momento na autoridade policial como testemunha, pois, estava na festa na noite dos fatos. Posteriormente, ele passou no segundo momento, ser investigado. Nesta condição, assumimos a defesa dele e já no transcorrer daquela semana, nós pugnamos para autoridade policial que queríamos apresenta-ló. No entanto, para eles, Danilo estava em prisão flagrancial, porém, não era isso e dentro desse contexto era inviável apresentar ele", explicou o advogado.

De acordo com Higo, a prisão da ex-namorada de Hugo, Rúbia Joice de Oliver Luvisetto, de 21 anos, também foi nesse entendimento. "No entanto, quando o documento foi levado perante ao juiz, o próprio disse que ela não estava em prisão em flagrante, tanto que relaxou a prisão em flagrante e converteu em temporária. Já Danilo, não conseguia se apresentar, pois, iria sofrer uma coação ilegal. Então, a opção foi retirar ele de Sete Quedas até mesmo por sua segurança e, foi quando ele se mudou para Iguatemi, mas, ele não estava escondido. Na semana passada foi oferecida uma denúncia e já estava em iminência, agora sim vai ser aberto um prazo para que possamos apresentar as primeiras defesas e nesse intervalo se deu a prisão dele no município".

'Ele não estava escondido', afirma defesa
Danilo Alves foi preso em uma residência de difícil acesso em Iguatemi (Foto: Divulgação/PCMS)

O caso –  Segundo as informações policiais, Hugo e Rúbia são ex-namorados. Na data, os jovens estavam na mesma festa que ocorreu no sábado, dia 24 de Junho, em um posto de combustível na cidade de Pindoty Porã, no Paraguai. Em seguida, a vítima fatal foi até a casa da suspeita e teria sido morta por Danilo, que estava no imóvel.

Após o crime, o corpo do jogador de futebol foi levado para até o rio Iguatemi, que fica próximo ao sítio La Pacho. No local, Hugo foi esquartejado com uma serra elétrica e teve os restos mortais jogados no rio.

Ainda conforme a polícia, na data do desaparecimento, a avó do jogador teria ligado para ele durante à noite e o mesmo disse que a festa estava boa e que logo chegaria em casa. Como ele morava com a avó materna e com um irmão, a família sabia que era comum ele dormir na casa de Rúbia. Porém, sempre avisava, mas neste dia não mandou mensagem e nem atendia as ligações.

Segundo a delegada, Lucélia Constantino, um suspeito de envolvimento no crime se apresentou à polícia em uma cidade da região. Ele estava acompanhado de um advogado. Durante o depoimento, entregou uma segunda participante do crime que é ex-namorada da vítima. Diante dos fatos, Rúbia foi presa e é suspeita de ter cooperado com o esquartejamento da vítima.

'Ele não estava escondido', afirma defesa
Rúbia Joice de Oliver Luvisetto e Danilo Alves Vieira da Silva tiveram prisão convertida para preventiva (Foto: Reprodução/Rede Social)

Vale destacar que durante o interrogatório dos suspeitos, a equipe policial conseguiu analisar a cumplicidade deles no crime e que as partes do corpo foram fracionadas para tornar extrema dificuldade a localização. No entanto, os policiais encontraram no domingo, 02 de Julho, partes do corpo jogadas no rio e, que foram identificadas como sendo a vítima por meio de uma tatuagem em homenagem ao pai. Já na segunda-feira, 03 de Julho, a parte da cabeça também foi localizada.

As equipes da Polícia Civil de Sete Quedas, da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) seguem investigando o caso e o Corpo de Bombeiros continua com as buscas. O caso que havia sido registrado como desaparecimento de pessoa, será alterado para homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Prisão Preventiva – No início deste mês, o Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul converteu a prisão de Rúbia e de Danilo para preventiva. Ela que é ex-namorada da vítima fatal e, teria atraído o jogador para sua residência, sendo que lá, por circunstâncias que ainda não muito esclarecidas e teria agido em conjunto com Danilo.

De acordo com a documentação que o Diário Digital teve acesso, o juiz substituto da Vara Única da Comarca de Sete Quedas (MS), Mateus da Silva Camelier, também converteu a prisão temporária para preventiva de Danilo. E, analisa sobre o pedido de prisão preventiva feita pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul, da mãe de Rúbia, Noemi Matos de Oliver e do padrasto dela, Patrick Eduardo do Nascimento, que teriam ajudado na ocultação do corpo. O pedido de ambos já foi negado.

'Ele não estava escondido', afirma defesa
Hugo Vinícius Skulny Pedrosa foi morto e esquartejado (Foto: Reprodução/Rede Social)

"A conduta é concretamente grave e vulneral a ordem pública, pois, os representantes Rúbia e Danilo, teriam agido friamente ao, em tese, matarem a vítima. Conforme as diligências realizadas pela autoridade policial, Rúbia teria atraído a vítima para sua residência, sendo que lá, por circunstâncias ainda não muito esclarecidas, teria agido em conjunto com Danilo e matado Hugo. Depois, novamente, os dois teriam atuado para cobrir as evidências do crime, limpando a cena do crime e transportado o corpo da vítima para uma propriedade rural, com o intuito de que este pudesse ser levado pelo rio", diz um trecho da documentação.

Além disso, é informado quando foi notificado sobre o desaparecimento da vítima e Rúbia prestou depoimento, no qual, mentiu não não teria conversado com o ex-namorado. “Quando noticiado o desaparecimento da vítima, enquanto toda a população setequedense se empenhava em busca de informações sobre o paradeiro de Hugo, a representada Rúbia prestava informações para a autoridade policial que sabia não serem verdadeiras, pois, enquanto negava ter conversado com Hugo naquele dia, um sistema de vigilância indicava que o carro dela estava próximo ao último local em que Hugo teria sido avistado. Já o representado Danilo, depois de jogar o corpo da vítima em um rio, teria retornado ao lugar e, ao perceber que ele estava visível, tirado-o da água e cortado-o em várias partes", continua a documentação.

Por fim, o juiz ainda informou que se Rúbia for colocada em liberdade, pode fugir, já que possui familiares no Paraguai (seus pais, também denunciados). "Inclusive, tendo ela se deslocado para o exterior logo após o crime, o que evidencia a probabilidade de se evadir do distrito da culpa". Já Danilo, que segue foragido ainda não se apresentou para esclarecer os fatos.

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