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Víuva descreve momentos de terror em noite de triplo homicídio

Companheira de uma das vítimas estava grávida e conseguiu correr após "sinal divino"

Quarta-feira, 30 Novembro de 2022 - 10:07 | Victória de Oliveira e Thays Schneider


Víuva descreve momentos de terror em noite de triplo homicídio
Réus assistem depoimento de viúva de uma das vítimas - (Foto: Luciano Muta)

Sentados ao banco de réus do Fórum de Campo Grande (MS) na manhã desta quarta-feira, 30 de novembro, Simei Fonseca de Araújo e Josiane Nunes Conceição assistiram ao depoimento da viúva de Alex Vilhagra Ifran, de 24 anos, uma das vítimas do triplo homicídio ocorrido no Jardim Sumatra, na capital, em 31 de outubro de 2022. Emocionada, relata os momentos de desespero onde assistiu à morte do marido.

A viúva foi uma das vítimas do atentado contra Alex, Marco Antônio Cavalcante Américo, de 36 anos e Weslley da Silva Rodrigues Alves, de 20 anos. No dia do crime, estava grávida há sete meses. “Meu esposo gritava não mata a minha mulher, porque ela está grávida”, declara. 

A testemunha conta que, no dia do triplo homicídio, ela e os três homens estavam em residência. “Vi os quatro armados e achei que era assalto. Eles mandaram a gente deitar no chão e calar a boca. Vi quando atiraram em Marcos”, conta. Ainda, explica que Josiane era uma das atiradoras. “Muito agressiva. Ele [Simei] era o mandante de tudo e mandou matar todo mundo”.

Viúva viu homem morrer em triplo homicídio
Viúva conta que Simei era mandante e Josilene, “muito agressiva” - (Foto: Luciano Muta)

“Eu falei meu Deus tenha misericórdia da minha alma”, lembra. Após os disparos, o grupo fugiu. A viúva ficou ao lado do esposo, que havia tentado correr. “Depois o carro voltou e eles deram mais três disparos, mas a arma falou. Eu corri porque escutei uma voz do além falando comigo. Foi Deus quem me deu forças”, conta.

Vida após o crime - A viúva de Alex afirma que carrega até hoje, cerca de dois anos e um mês após o crime, imagens e sequelas do ocorrido. “Não durmo, não saio na rua sozinha, nem consigo ver carro preto. Estou doente”, conta emocionada.

Também detalha que sofre ameaças constantes. A mulher explica que recebe diversos telefones onde afirmam que ela seria a próxima vítima fatal. “Falando que a minha hora ia chegar, sendo que nunca fiz mal para ninguém. Estou vivendo pelos meus filhos apenas. Não penso no futuro porque parece que alguém sempre vai chegar e me matar”, declara.

O caso - Os réus estavam em um veículo parecido com Renault Sandero. As circunstâncias do crime indicam uma execução premeditada, com o objetivo de não deixar testemunhas. Marco Antônio foi o primeiro a ser atingido por disparos de arma calibre 12, na cabeça.

Segundo as testemunhas, os atiradores gritaram para que ele saísse do carro, mas não foram atendidos. Os tiros também atingiram Weslley, na cabeça, numa das pernas e quadril. A esposa de Alex, que estava grávida na época, também foi atingida e ficou ferida.

O filho de Marco Antônio disse que o pai trabalhava como pedreiro e era bastante conhecido no bairro. Já o pai de Weslley, segundo o boletim de ocorrência, contou à polícia que no dia do crime seu filho havia ido ao encontro de Marco Antônio apenas para entregar uma chave que seria usada no conserto do carro, quando o grupo chegou atirando.

Alex Vilhagra e a namorada tinham acabado de chegar na casa quando os disparos começaram. Ele tentou correr, mas foi perseguido e morto com tiros de calibre .12 milímetros no pescoço e na mão direita. A mulher conseguiu escapar.

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