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‘Ouvi os últimos suspiros do meu filho’, diz PM

Segunda-feira, 02 Março de 2020 - 17:31 | Redação


A primeira audiência sobre a execução de Matheus Coutinho Xavier, de 20 anos, realizada no Fórum de Campo Grande, nesta segunda-feira, 2 de Março, foi marcada pelo depoimento emotivo do pai dele, o capitão da PM Paulo Roberto Xavier. O jovem não era o alvo do atirador, ele foi morto por engano no lugar do pai, na noite de 19 de Abril de 2019.

“Eu ouvi os últimos suspiros do meu filho, coloquei ele no banco de trás e dizia: calma filho, o pai te ama, aguenta firme, vai dar tudo certo, até que ele parou de respirar”, relatou. “Todos os dias isso passa na minha cabeça, vai fazer um ano e a saudade só aumenta. Meu filho era um menino estudioso, querido por todos, não tinha razão do porquê ser algo direcional para ele, era para mim”, completou.

Paulo Roberto Xavier foi a primeira testemunha de acusação a depor na audiência. Os acusados de envolvimento na morte do rapaz assistiram os depoimentos por videoconferência. São eles: os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, o policial civil aposentado Vladenilson Daniel Olmedo, o “Vlad”, o ex-guarda municipal Marcelo Rios e o policial civil Márcio Cavalcanti da Silva. Eles estão presos na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Outro acusado que acompanhou a audiência por videoconferência foi o técnico em informática Eurico dos Santos Mota, preso em Coxim (MS).  Dois réus ainda estão foragidos, José Moreira Freires, o “Zezinho” e Juanil Miranda Lima.

A suspeita é que os Name tenham encomendado a morte de Paulo Roberto Xavier. Porém, o atirador acertou o jovem, pensando se tratar do pai, quando o rapaz manobrava uma caminhonete na garagem de casa.

Durante o depoimento, ele acusou os Name de tentarem convencê-lo a deixar a cidade após a morte de Matheus. Ele disse ter sido levado à casa dos Name e recebido uma oferta de dinheiro. Queriam que ele sumisse por dois anos.

Segundo ele, Jamil Name Filho foi muito enfático em dizer: “Você enterrou seu filho, sai daqui e some. Volta só depois de dois anos e avisa Vladnilson onde você está. Não fale com mais ninguém”, teria dito o empresário.

Conforme Paulo Roberto Xavier, dois dias antes do crime um veículo Ônix de cor branca já estava rondando sua casa.

Paulo Roberto disse que foi preso em 2009 acusado de se envolver com um grupo que explorava caça-níqueis e jogo do bicho. Anos depois, em 2012, foi procurado por Vladnilson e levado até a casa de Jamil Name. “Os Name disseram que ficasse ao lado deles, em troca cuidariam da minha defesa na justiça”, relembra.

Na ocasião, eles apresentaram a Paulo Xavier o advogado Antônio Augusto que faria a defesa dele. Então, Paulo Xavier passou a prestar pequenos serviços ao advogado ficando bem próximos

Ocorre, segundo Paulo Xavier, que Name se desentendeu com esse advogado por conta de interesses econômicos. O empresário queria uma fazenda que pertencia ao advogado. Através do Vlad pediu que Paulo Xavier intermediasse a venda, mas ele não quis. Por fim, a fazenda foi vendida por um preço mais barato que Jamil havia oferecido por ela, a uma outra pessoa.

Esta fazenda já havia pertencido aos Name que queriam recomprá-la.

Paulo Xavier mencionou que teme perder a vida. “Eu temo pela minha vida. Qualquer barulho me imagino tomando tiro. Mas o que fizeram com meu filho já me mataram. Estou aqui por justiça e porque temo pela vida dos meus outros filhos”, disse ao finalizar as respostas dadas à promotoria.

Problemas técnicos - Vale mencionar que a audiência quase foi cancelada por problemas técnicos na transmissão da videoconferência. Porém, restabelecido o sinal, os trabalhos foram retomados.

A segurança no Fórum foi reforçada para a audiência. Homens do Garras e Choque estiveram no local. As testemunhas não tinham contato com o lado externo.

Conforme o agendamento judicial, a segunda audiência sobre a morte de Matheus Xavier deverá ser realizada nesta terça-feira, 3 de Março, no período da tarde. A expectativa é de que sejam ouvidas 13 testemunhas de acusação nesta primeira fase das audiências, entre as quais delegados e policiais que atuaram no caso.

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