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Economia

Fronteira segue fechada e manifestantes pedem renúncia de prefeito e Censo

Prefeito de Puerto Quijarro assegurou que continuará no cargo e que população está "difamando-o"

Terça-feira, 25 Outubro de 2022 - 18:00 | Isabela Duarte


Fronteira segue fechada e manifestantes pedem renúncia de prefeito e Censo
(Foto: Divulgação/ Diário Corumbaense)

Fronteira entre Brasil e Bolívia continua fechada pelo quarto dia nesta terça-feira, 25 de Outubro. Manifestantes pedem a renúncia do prefeito de Puerto Quijarro, Luis Chambi Montoya e de seu vice, Tony dos Santos, além da realização do Censo Demográfico em 2023.

O Comitê Cívico e apoiadores da greve no departamento de Santa Cruz de la Sierra realizaram uma assembleia  geral na praça principal da cidade na noite desta segunda-feira (24). 

Reunião contou com a presença de centenas de bolivianos pedindo pela renúncia, que se deslocaram em caravana até a fronteira. A mobilização acorre na linha internacional que separa o lado boliviano de Corumbá (MS). 

Outras reivindicações são o fim da violência e a libertação dos três detidos, que foram transferidos para a Força Especial de Combate ao Crime (Felcc) da capital Santa Cruz, acusados de envolvimento na morte de um homem no conflito do dia 21 de outubro e a retirada de mais de 200 policiais que estão em Arroyo Concepción.

Nos discursos, os manifestantes também destacaram a necessidade de investigar os fatos que causaram a morte do funcionário público, Julio Pablo Taborga. Há denúncia de que Julio teria sido obrigado pelo prefeito de Quijarro a se envolver no conflito entre pessoas favoráveis e contrárias ao fechamento da fronteira. 

Atualmente, existem 58 pontos de bloqueio no departamento (estado) de Santa Cruz e esse número pode aumentar se o governo não marcar para até junho de 2023, e não em 2024, o Censo Demográfico. O último levantamento foi 2012. 

Fronteira - A fronteira com Corumbá (MS) segue fechada. Não há tráfego de veículos na linha internacional, mas alguns bolivianos estão entrando no lado brasileiro pelas estradas conhecidas como “cabiteiras”.

Em relação ao pedido de renúncia do prefeito de Puerto Quijarro, Luis Chambi Montoya, ele assegurou que continuará no cargo e que a única coisa que os cívicos fizeram foi "difamá-lo".

Entenda o caso - A fronteira da Bolívia com Corumbá está fechada desde sábado (22). Só a passagem de pedestres é permitida. A ação é uma das medidas extremas para pressionar o governo a realizar o Censo Demográfico em 2023 e não em 2024, para ser possível observar novo pacto fiscal antes do próximo período eleitoral.

De acordo com lideranças do Paro Cívico, o levantamento precisa ser realizado o quanto antes, pois o Estado de Santa Cruz de La Sierra e outros departamentos são os mais prejudicados, já que o último foi realizado em 2012.

Santa Cruz, conforme o ultimo Censo, tinha 2 milhões de habitantes, desde então, essa população cresceu, ainda mais com a migração de pessoas de outras cidades e departamentos da Bolívia, que optaram por viver lá. Como consequência, isso afeta diretamente no repasse de verba pública para investimentos, políticas sociais, que deveriam ser de acordo com o número de pessoas que vivem nos estados.

A Comissão Interinstitucional que promove o recenseamento para 2023 rejeitou a proposta feita pelo Governo para acabar com o Paro Cívico (greve), em reunião ocorrida no sábado (22). Os representantes insistem em um mediador para reiniciar as negociações.

Para os membros do Comitê Interinstitucional, o plano de governo que propõe "uma regra complementar" mantém em vigor o Decreto 4.760, que foi usado para adiar o censo por dois anos. Essa norma indica que o censo ocorrerá em dia indefinido entre maio e junho de 2024 e por isso foi rejeitado.

O impasse gerou conflito entre os que apoiam e são contrários à greve, na noite de sexta-feira (21), em Puerto Quijarro, que faz fronteira com Corumbá. Julio Pablo Taborga, que era funcionário da Prefeitura daquela cidade, acabou morto. Três suspeitos foram presos e transferidos para Santa Cruz de la Sierra. 

Com a fronteira da Bolívia fechada, comerciantes de Corumbá (MS) estão sentindo os impactos do protesto, uma vez que os bolivianos movimentam as vendas, principalmente nas lojas da região central e supermercados.

Chefe da Alfândega da Receita Federal, Erivelton Moyses Torrico Alencar, lembrou ao Diário Corumbaense que 85% das exportações do Centro-Oeste brasileiro saem por Corumbá e esse fechamento impede o fluxo de mercadorias.

(Com informações de Diário Corumbaense)

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