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Juízes leigos do MS colaboram para rapidez do trabalho judiciário

Conheça essa profissão que auxiliam em processos cíveis e da fazenda pública

Terça-feira, 22 Novembro de 2022 - 14:38 | Isabela Duarte


Juízes leigos do MS colaboram para rapidez do trabalho judiciário
(Foto: Luiz Alberto)

Além das conhecidas defesa e acusação dentro do tribunal, advogados podem atuar auxiliando a Justiça na direção de processos, julgando pequenas causas e promovendo a paz entre as partes envolvidas em um caso. Essa é a função do "juiz leigo", um juizado especial que agiliza a demanda de julgamentos do Poder Judiciário.

Para assumir essa profissão, o advogado, com dois anos de experiência jurídica, passa por um processo seletivo e, se aprovado, trabalha como auxiliar de um juiz togado, autoridade que dá a sentença dos processos. Dessa forma, após julgar pequenos casos, o juiz leigo entrega sua sentença ao superior, que pode ou não aprová-la.

Esses juízes atuam em causas de menor complexidade, sentenciando processos cíveis e da fazenda pública, que não necessitam de provas complexas, como perícias. Além disso, o valor envolvido na causa não pode exceder 40 salários mínimos, ou 60, em processos de fazenda pública.

O Diário Digital conversou com dois juízes leigos de Mato Grosso do Sul que explicam a importância do trabalho, que tem como principal objetivo promover paz na sociedade. Atualmente, o Estado possui 116 juízes no cargo, sendo 41 na Capital e 75 no interior.

Juiz leigo colabora para rapidez da Justiça
Desde a pandemia da Covid-19, juízes leigos fazem audiências de forma remota (Foto: Luiz Alberto)

O juiz leigo e ex-representante dos Juízes Leigos e Conciliadores de Campo Grande Felipe Lopes de Lara, de 32 anos, explica que a grande diferença entre os dois cargos de juízes é que os leigos promovem as audiências de instrução, recolhem as provas mas a sentença só é válida depois da homologação pelo juiz togado.

"Nós podemos atuar em casos cíveis, como negativação indevida, atraso de voo, protesto indevido, falha na prestação de serviços, entre outros. O juiz leigo faz um projeto de sentença, encaminha para o magistrado, que irá analisar e assinar. Se ele não concordar, nossa sentença não tem validade alguma”, explica.

Felipe explica que quando o cidadão entra com um processo, primeiro passa por uma audiência de conciliação e, caso não haja acordo entre as partes, segue para uma audiência de instrução, conduzida pelo juiz leigo.

O juiz ainda recomenda que a população de Campo Grande, antes de entrar com uma ação contra grandes empresas em casos de negativação indevida, procure o “expressinho” do Centro Integrado de Justiça (Cijus), localizado na rua 7 de Setembro, número 174, e tente resolver a queixa administrativamente, antes de passar por audiências.

Juiz leigo colabora para rapidez da Justiça
 Felipe Lopes de Lara atua há oito anos como juiz leigo (Foto: Luiz Alberto)

Felipe, que atua em Campo Grande, afirma que os tipos de ação que mais chegam ao Cijus são negativação indevida, difamação nas redes sociais e cancelamento de voo por causa da Covid-19.

Na pandemia, uma dificuldade enfrentada foi a adaptação às audiências remotas. “No começo foi difícil, porque a maioria da população não tem acesso a uma internet de qualidade e foi uma mudança repentina, pegou todo mundo de surpresa. Agora, o próprio Tribunal de Justiça disponibiliza computador e uma sala para quem tem dificuldade”.

Ele destaca também que é muito importante que este profissional saiba lidar com a carga emocional que pode envolver a ação. “Com o tempo a gente se acostuma, lógico que tem casos que nós ficamos ressentidos, mas por isso falamos que a Justiça é cega, pois não há discriminação”.

Juiz leigo colabora para rapidez da Justiça
 (Foto: Luiz Alberto)

Interior - Para o juiz leigo Mário Lacerda, que atua há cinco anos nos municípios do interior de Mato Grosso do Sul, a função do juiz leigo é de grande importância no serviço público e uma experiência enriquecedora para quem é do Direito, pois o profissional passa a conhecer os dois lados do processo, o imparcial de quem irá julgar, e o parcial, do advogado.

“Para quem está começando na profissão e quer ter a experiência, é muito bom profissionalmente e muito satisfatória. É transitório, somos nomeados por quatro anos, podendo renovar uma única vez por mais quatro, e caso queira continuar, é necessário passar por outro processo seletivo”, explica.

Mário já trabalhou nas cidades de Pedro Gomes (MS), Deodápolis (MS), Cassilândia (MS) e Camapuã (MS), e há um mês, foi para a comarca de Jardim (MS), onde precisa ir toda semana para realizar as audiências. O profissional precisou adaptar um espaço da sua casa para realizar as audiências de forma remota durante a pandemia. Mas hoje, as audiências presenciais estão voltando, principalmente no interior.

Juiz leigo colabora para rapidez da Justiça
O juiz leigo Mário Lacerda também atua como advogado em Campo Grande (Foto: Luiz Alberto)

“A função de um juiz leigo é ser um auxiliar da Justiça, com trabalho supervisionado pelo Magistrado. Alguns juízes leigos do interior acumulam duas funções, de presidir as audiências de conciliação, para resolver o processo com um acordo entre as partes, e instrução”, complementa Mário.

No interior, o juiz observa que a maioria dos processos são relacionados à saúde, nos quais a população solicita remédios, atendimento médico e tratamentos urgentes. Além disso, são comuns também cobranças e causas relacionadas aos direitos do consumidor, por exemplo, quando a compra realizada pela internet não chega ao cliente.

Juiz leigo colabora para rapidez da Justiça
(Foto: Luiz Alberto)

Remuneração - O juiz leigo Felipe, que também foi membro do Conselho de Supervisão dos Juizados Especiais de Mato Grosso do Sul, informa que todo o processo do juizado é gratuito para a população. “Se quiser entrar com a ação, até 20 salários mínimos, é gratuito. A parte não precisa de advogado e não precisa pagar custas processuais”.

Já a remuneração dos profissionais é realizada por produtividade, ou seja, por sentença homologada. Não há férias nem 13º salário, como explica Felipe. Há um teto salarial para o juiz de 101 a 103 processos homologados por mês.

No caso de Mário, que precisa ir às cidades do interior, não há um auxílio de deslocamento. O profissional precisa arcar com os custos de alimentação, transporte e acomodação por meios próprios. Por isso, ele explica que quanto maior o volume de processos, maior é a remuneração. Logo, as melhores opções são as maiores cidades do interior, devido à demanda.

Juiz leigo colabora para rapidez da Justiça
(Foto: Luiz Alberto)

 

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