Geral
Indígena grávida de 8 meses morre após negligência do DSEI em MS
Conselho Indigenista Missionário denuncia que órgão foi acionado, porém, não prestou atendimento à vítima
Quinta-feira, 22 Junho de 2023 - 17:50 | Marina Romualdo

Uma mulher indígena, de 37 anos, que estava grávida de 8 meses morreu na madrugada do dia 14 de Junho, na Aldeia Potrero Guassu, dos povos Guarani e Kaiowá, localizada no município de Paranhos (MS). O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) afirma que as vítimas faleceram após inúmeros pedidos de ajuda ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Mato Grosso do Sul, que é considerado o maior do país.
Conforme a nota, por volta das 3h da manhã, um dos filhos da vítima foi procurar auxílio médico ao ver a mãe em trabalho de parto. Na ocasião, a moradora da aldeia que não teve o nome divulgado prestou atendimento à família e efetuou, ao todo, cerca de dez ligações à plantonista da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Polo Base de Paranhos (MS), e à coordenação técnica do mesmo polo base, que não atenderam. Ela tentou, ainda, recorrer a um grupo de funcionários da área da Saúde da aldeia, mas também sem sucesso.
Em seguida, o hospital do município também foi acionado pela mulher. No entanto, foi alegado por uma atendente que “só poderiam liberar a ambulância com a anuência da equipe da Sesai” – que, como mencionado anteriormente, não atendeu nenhuma ligação.
Diante da situação, a vítima foi levada pelo marido até o hospital em um carro particular. Porém, ao chegar na unidade de saúde, mãe e filho não resistiram e morreram. Na certidão de óbito de cada um, a causa da morte foi especificada como “desconhecida” – prática recorrente na região. A vítima deixa sete filhos, que possuem entre 11 e 22 anos de idade, e seu marido.
Na nota ainda é informado que uma pessoa que acompanhou o caso reportou que, agora, “pede justiça e os devidos esclarecimentos por parte dos responsáveis pela equipe da Sesai por negligenciar a vida da paciente e de seu filho, que foram a óbito em razão da demora do atendimento”.
Outros casos – O Conselho Indigenista Missionário de MS destaca que têm sido recorrentes os relatos das comunidades indígenas do Estado, a respeito do aumento da mortalidade infantil em MS.
Em visita à Terra Indígena Limão Verde, no município de Amambai (MS) foi registrada a morte de um bebê de apenas 30 dias de vida. No documento de óbito da criança, foram apontados “vômito e diarreia” como justificativa do falecimento.
Além da desassistência e a ausência de atendimento médico nos territórios, a falta de medicamentos é outro problema enfrentado pelos indígenas do Mato Grosso do Sul. “Às vezes o médico passa a receita para a gente comprar o remédio, mas não temos como comprar. Então temos que recorrer aos remédios caseiros, que já estão bem difíceis de encontrar dentro das reservas”, relatou uma liderança indígena.
Foi relatado, ainda, que o preconceito e racismo também dificultam o acesso dos indígenas aos espaços de Saúde, como hospitais e postos de atendimento. “Sempre que vamos ao hospital, somos maltratados pelos profissionais. Eles xingam a gente de ‘bugre’, dizem que não temos que ir ao hospital, que temos que ficar na aldeia. Dizem que não é lugar para sermos atendidos”.
O CIMI ainda destacou segue acompanhando e denunciando esses entre outros casos.
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