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Horta automatizada abastece restaurante que é ouro em sustentabilidade
Bom uso da água ajudou Senac da Capital a conquistar selo da mais alta categoria em certificação internacional
Terça-feira, 15 Outubro de 2024 - 13:00 | Valdelice Bonifácio

O lugar é agradável e bonito a qualquer hora do dia. Construída no terraço do prédio onde funciona a Escola de Turismo e Gastronomia do Senac, em Campo Grande (MS), a horta é organizada e sustentável. Ela foi projetada para ser modelo, sendo assim, precisa atentar para o recurso essencial a todas as formas de vida, a água. A irrigação é automatizada e o alface é hidropônico -- método produtivo que consome 20 vezes menos água que o convencional.
O bom uso da água, aliás, ajudou o restaurante a conquistar a categoria Ouro da certificação internacional em sustentabilidade de empreendimentos turísticos Good Travel Seal. O selo foi concedido pela fundação holandesa Green Destination neste ano de 2024. "No item água, atingimos 100% dos requisitos analisados. Fazemos tudo o que se pode fazer em relação à conservação da água, tratamento de esgoto, dispositivos econômicos e bom uso da água", detalha Roberta Francis Pinto, Gerente do Senac Turismo e Gastronomia.

Além de folhagens, a horta produz hortaliças, aromáticos e plantas comestíveis não convencionais, as PANCs. Tudo chega fresquinho ao prato dos clientes do restaurante. A hidratação da horta é automatizada. Cabe aos funcionários da manutenção do local, acionarem os botões no painel de controle e pronto, a água será entregue às plantas no momento agendado.
De hora em hora as plantas de solo recebem um pouquinho de água, na medida certa. Já o alface cresce dentro dos tubos de hidratação, onde a presença da água é constante. "Porém, a cada 10 minutos a água circula, tudo de maneira automática. Esse líquido recebe nutrientes para as plantas crescerem", explica o assistente de logística Vanderlei Boldan.

A horta recebe assistência técnica do Senar-MS que periodicamente envia técnicos ao local para manutenção. A equipe que faz a manutenção da horta recebe orientações técnicas para condução das culturas, como, por exemplo, adubação e manejo.
"No sistema hidropônico, a gente precisa adicionar à água nutrientes para a planta se desenvolver. Essa adição deve ser feita de forma balanceada, colocando-se os macronutrientes como nitrogênio, fósforo e os micronutrientes que também são essenciais, como manganês e ferro. Assim o técnico que acompanha o projeto dimensiona a quantidade necessária para o desenvolvimento da planta e orienta o pessoal que faz o manejo da área", detalha o coordenador da Assistência Técnica em Fruticultura e Horticultura do Senar/MS, Dorly Pavei.
Mais do que um charmoso local de produção sustentável, a horta é um ponto importante para a aprendizagem dos alunos da Escola de Turismo e Gastronomia do Senac, conforme explica no vídeo abaixo a Nutricionista do restaurante-escola Simone Demenciano:
É claro que lidar com alimentos e ainda ensinar alunos, exige um considerável consumo de água. O consumo do restaurante fica entre 233 a 263 m2 por mês, o que equivale ao abastecimento de 25 residências. Por essa razão, o dia a dia do estabelecimento e cada uma de suas ações é pensada para que não exista uso irracional do líquido no ambiente.
A unidade faz aproveitamento da água da chuva, automatizou a irrigação dos jardins, colocou temporizadores nas torneiras e só usa produtos biodegradáveis nas cozinhas. Todas as cozinhas, aliás, têm duchas de água quente para facilitar a limpeza das panelas e utensílios do restaurante.

Automação - Conforme Roberta Francis, a automação foi fundamental para tornar o restaurante mais sustentável e garantir o bom desempenho na certificação internacional. "Toda prática de controle é muito bem vista no processo de certificação. Com ela, você deixa de precisar da ação humana que pode falhar e além disso, a automação traz informações importantes", explica Roberta Francis.
A gerente tem parte da gestão do Senac no próprio celular. Ela pode, por exemplo, verificar se tem luzes acesas nos departamentos e quem estaria a postos para fazer o desligamento. Além da automação, outra ação importante e permanente é a conscientização. São vários os programas internos para incentivar colaboradores e visitantes a hábitos sustentáveis.

Mesmo já sendo adepto de práticas sustentáveis desde a fundação, a busca pela certificação foi trabalhosa. O restaurante trabalhou para obtê-la por cerca de dois anos. Foram feitas várias adequações. O restaurante alcançou o índice de 100% em oito dos 10 itens analisados. O restaurante foi avaliado em mais de 60 quesitos, separados em 12 temas, definidos de acordo com os padrões estabelecidos pelo Conselho Global de Turismo Sustentável.
Entre os critérios analisados, além da questão da água, estão o bem-estar social, saúde e segurança, boa empregabilidade, energia e clima, poluição e incômodo, resíduos, entre outros. O trabalho de avaliação é detalhista e o relatório final exige avanços da empresa certificada, mesmo diante de uma boa avaliação, como a certificação ouro.

O documento ao qual o Diário Digital teve acesso sugere que o restaurante-escola implante "sistemas de monitoramento que registrem o consumo diário de água, energia e resíduos permitindo análises mais precisas." É sugerido ainda que estes dados sejam divulgados periodicamente.
Outras sugestões são iniciar um inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), adotar ações para redução do consumo de carne e aperfeiçoar a divulgação aos clientes das ações relacionadas à sustentabilidade.

Para o diretor regional do Senac MS, Vitor Mello, incluir a sustentabilidade no ensino de áreas como turismo e gastronomia é de grande relevância na atualidade: “Nós estamos preparando nossos alunos para os desafios do mercado, que exige cada vez mais consciência ambiental e responsabilidade social. Essa formação vai além das técnicas, formando profissionais preparados para atuar de maneira ética e sustentável”, enaltece.
Satélite que achou água em marte monitora vazamentos na Capital - Como se viu na horta do restaurante do Senac, o conhecimento técnico e a tecnologia são grandes aliados do consumo racional de água. Tanto é verdade que a concessionária de água da Capital, a Águas Guariroba lança mão das tecnologias mais avançadas para retirar menos água do meio ambiente e ainda monitorar possíveis perdas.
Uma novidade é o uso de um satélite que foi utilizado para encontrar água em Marte para localizar pontos de perda de água. "Com a informação em mãos é possível realizar o reparo sem que o trabalho interfira no abastecimento de água da população. Em um mês de monitoramento, a previsão é de que 150 pontos de vazamentos sejam solucionados", explica o gerente de Meio Ambiente da Águas Guariroba, Fernando Garayo.

O monitoramento se iniciou em Junho e a execução das vistorias em Julho. Com um mês, 980 quilômetros foram verificados e 195 apontamentos realizados. Quando acionadas, as equipes saem às ruas com o equipamento chamado Geofone, que utiliza uma captação de som e vibração com uma espécie de alto-falante e fones de ouvido manuseados pelo colaborador.
As áreas foram vistoriadas pelo satélite de acordo com a reincidência de vazamentos nos últimos três anos e locais com alto fluxo. Dos 195 apontamentos, 118 já foram vistoriados e 69 pontos de perda de água foram identificados, sendo 36 não visíveis. A previsão é que em dois meses de monitoramento, 150 pontos sejam identificados e solucionados pelas equipes.
O percentual de perdas de água potável em Campo Grande é de 19%, contra 35% na média nacional. Porém, a concessionária quer reduzir esse índice. Por isso, a empresa mantém um Centro de Controle de Operações, o CCO, ativo 24h por dia. No local, os níveis dos reservatórios estão estão expostos nas telas. Se a luz de alerta acender é sinal de que será necessário tomar providências para normalizar os níveis, assim, os controladores decidem se há necessidade de ligar as bombas.

Além disso, um rápido cruzamento de dados pode apontar em segundos a existência de consumo desenfreado, o que pode ser um vazamento. "Hoje, essas ferramentas são fundamentais para garantir a regularidade dos serviços de abastecimento e também auxiliam na decisão sobre novos investimentos", acrescenta Fernando Garayo.
Atualmente, Campo Grande tem 107 reservatórios de água, distribuídos nas sete regiões da cidade, com 100% da cidade tendo acesso a rede de água tratada, segundo o divulgado pela concessionária. A água que abastece a Capital vem dos córregos Guariroba, Lageado, e de poços subterrâneos profundos espalhados pela cidade.

Universidade desenvolve IA para gestão de recursos hídricos - Está em andamento na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, UFMS, o desenvolvimento de tecnologias avançadas de inteligência artificial (IA) para gestão de recursos hídricos. O professor da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia (Faeng) Ruben Barros Godoy explica que utilização da IA permite a identificação precisa de edificações e piscinas, dados que, quando combinados com informações internas da Águas Guariroba, aprimoram a qualidade do abastecimento de água.
"O sistema mostra inconsistências em observação ao mapeamento de consumo. Isso, reduziria muito a área de busca por um vazamento", explica o professor acrescentando que a nova tecnologia utiliza imagens de satélite e drones, combinadas com ferramentas de georreferenciamento e algoritmos de inteligência artificial. "É um processo que potencializa a eficácia na identificação de irregularidades e perdas”, destaca.

Para o funcionamento do sistema foi preciso mapear a região que estava sendo pesquisada. Foram extraídos dados como a área construída, o número de edificações e, consequentemente, o consumo estimado dessas residências. A assertividade alcançada por diferentes versões de IA varia entre 78 e 95%, conforme o professor. Denominada Mosaico, essa solução produz relatórios que auxiliam na tomada de decisão dos gestores da empresa distribuidora de água.
O desenvolvimento da tecnologia é resultado de uma parceria entre a Universidade, por meio do grupo do Programa de Educação Tutorial (PET) do Curso de Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia (Faeng); a startup Damine Tecnologia LTDA, incubada na Pantanal Incubadora Mista de Empresas da UFMS; e a Águas Guariroba. A tecnologia, aliás, já está à disposição do mercado através da startup Damine Tecnologia LTDA.
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