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Espaço preparado exclusivamente para autistas é novidade na Capital
Campo Grande é a primeira cidade do país a contar com espaço humanizado para TEA's
Sábado, 06 Abril de 2024 - 16:05 | Laura Cação

Na frente às práticas inovadoras que buscam a melhoria na qualidade do serviço de saúde prestado à população, Campo Grande (MS) caminha para ser a primeira cidade do País a contar com espaço palpável projetado para proporcionar maior conforto e atender as necessidades de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas unidades de urgência e emergência do município. Os pacientes TEA ainda passam a ter prioridade em toda a linha de cuidado.
A iniciativa, pioneira do Sistema Único de Saúde (SUS), lançada nesta Semana de Conscientização do Autismo, será implementada inicialmente em duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS), localizadas nos bairros Coronel Antonino e Universitário. Essas unidades foram escolhidas por estarem em regiões estratégicas e possuírem atendimento adulto e infantil 24h todos os dias da semana, além de estarem estruturadas para atender às demandas espontâneas de pacientes TEA e encaminhados via Corpo de Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Para a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite de Melo, o projeto é a materialização do compromisso da gestão com a humanização do atendimento à população. “Elencamos a humanização no atendimento à população como um dos pilares fundamentais de nossa atuação. Entendemos que cada indivíduo possui suas particularidades e necessidades, e é nosso dever, enquanto gestores públicos, assegurar que todos sejam acolhidos e atendidos com respeito e dignidade”, pondera.
A secretária enfatiza ainda que a melhoria no acolhimento e a humanização dos atendimentos a pessoas com autismo nas unidades de urgência representa um marco significativo neste processo. “Ele reflete o nosso compromisso não apenas com a melhoria dos serviços de saúde, mas também com a inclusão e o respeito à diversidade. Estamos dedicados a implementar políticas que garantam um atendimento mais sensível e adaptado às necessidades de todos os cidadãos, reforçando assim o nosso compromisso com uma saúde pública de qualidade, inclusiva e humanizada”, diz.
A atmosfera dos ambientes foi pensada para diminuir os estímulos sensoriais e visuais, com iluminação e cores claras, materiais táteis e elementos visuais simples, contribuindo para um melhor acolhimento e conforto do TEA, conforme a médica e designer de interiores Fernanda Fávero, responsável pela criação do projeto de interiores para consultório de internação e acolhida Neurodiversa. “Isso permitirá que pais, familiares, cuidadores e acompanhantes também recebam um atendimento humanizado, inclusivo e respeitoso nas unidades de urgência e emergência”, diz.
Mãe de autista e entusiasta da causa, Mara Rúbia Gamon, coordenadora do Instituto Juliano Varela, destaca a importância de iniciativas focadas no acolhimento e humanização para pessoas com autismo.
“A implementação de projetos voltados ao acolhimento humanizado não é apenas um avanço na maneira como prestamos assistência; é uma transformação na vida dos autistas. Esses projetos oferecem um ambiente onde eles se sentem compreendidos, respeitados e, acima de tudo, valorizados. Isso não apenas melhora significativamente a qualidade do atendimento que recebem, mas também fortalece sua autonomia e confiança, influenciando positivamente em seu desenvolvimento e integração social. É um passo fundamental para reconhecermos e celebrarmos as diferenças, criando uma sociedade mais inclusiva para todos”, comenta.
A vice-presidente da Associação de Pais e Amigos do Autista de Campo Grande (AMA-CG), Flávia Caloni, diz que as pessoas com autismo e seus familiares enfrentam dificuldades para encontrar ajuda médica adequada. Isso pode envolver desde falta de compreensão dos profissionais até ambientes inadequados que podem causar problemas.
“Essas dificuldades aumentam o estresse em situações já desafiadoras e também podem impedir que nossos entes queridos recebam os cuidados de que necessitam. A iniciativa de implementar projetos focados no acolhimento e humanização nas unidades de saúde é um marco importante. Ela demonstra uma mudança positiva na abordagem da gestão de saúde, que visa entender e também agir para romper o ciclo de dificuldades no acesso ao atendimento para pessoas com autismo. Este é um passo louvável em direção a uma sociedade mais inclusiva e empática, onde todos possam receber cuidados adaptados às suas necessidades específicas”, enfatiza.
A previsão é de que os espaços, tanto consultórios quanto salas de descompressão e estabilização, estejam em funcionamento nos próximos 60 dias nas duas unidades escolhidas para iniciar o projeto. O projeto deve avançar gradativamente para as demais unidades de urgência e emergência seguindo um cronograma a ser estabelecido.
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