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Capital recebe cabine de livros inclusiva no Centro

Com um estilo londrino, ponto de leitura atrai populares e turistas

Quinta-feira, 25 Agosto de 2022 - 14:00 | Isabela Duarte


Capital recebe cabine de livros inclusiva no Centro
(Foto: Luiz Alberto)

O estacionamento do Hotel Jandaia, localizado no cruzamento da rua Barão do Rio Branco com a 13 de Maio, está atraindo olhares com mais uma iniciativa de leitura na Capital. A primeira Cabine de Livros da região central foi inaugurada nesta segunda-feira (22) e já movimentou o local.

Fundado há 25 anos pelo atual vereador Ronilço Guerreiro, o projeto Gibiteca articula agora mais um ponto de leitura, com ótima localização para quem está aproveitando um passeio no centro de Campo Grande ou se deslocando para o trabalho. O objetivo é incentivar a leitura e formar uma cidade com mais cultura.

Ao chegar nesta tarde para conversar com a equipe do Diário Digital, Ronilço, que é apaixonado pelos livros e gibis, emocionou-se ao ver que diversos exemplares já foram levados pela população e, muito feliz com a conquista, não para de admirar a cabine.

O espaço é fruto de uma parceria com o Hotel Jandaia, que cuida do projeto e disponibiliza mesas e cadeiras, tudo para facilitar o acesso à educação. Aberta a todos, a Cabine de Leitura funciona das 8h às 21h, onde populares podem pegar e doar livros.

Capital ganha cabine de livros inclusiva
(Foto: Luiz Alberto)

História - “Eu sou fruto da educação”, diz Ronilço ao começar a contar sua história. Quando criança, ele brincava em um lixão perto de sua casa e um dia encontrou um gibi do Zé Carioca sem capa e se apaixonou pela leitura.

O nome Ronilço Guerreiro vem de sua luta pela graduação. Enquanto se formava em psicologia, seu sapato rasgou e ele passou a usar um coturno de seu tempo no exército. Hoje ele faz questão de usar o apelido para “lembrar da onde eu vim, onde estou e onde quero chegar”

Quando trabalhou em um hotel, começou um projeto de creche e os pais das crianças deixavam diversos gibis no local. Ele passou a recolher esses exemplares, que são o primeiro acervo da Gibiteca, que ainda era um sonho futuro na época. Hoje, implantar a Cabine em um hotel traz muitas emoções e relembra-o deste início.

“Hoje eu sou vereador em Campo Grande pelos livros”, diz reconhecendo a transformação de sua vida por meio da leitura. “Eu também gosto de ler muito, troco qualquer diversão por navegar na história de um bom livro".

Capital ganha cabine de livros inclusiva
(Foto: Luiz Alberto)

A cabine - Feita de reciclagem, pela empresa Aço e Aço, a cabine quer provocar a imaginação e a cultura, relembrando as famosas cabines telefônicas vermelhas de Londres, na Inglaterra.

“A diferença é que nós fizemos ela do tamanho para entrada de cadeirante”, afirma o vereador.

Ronilço já está pensando em levar a cabine para mais lugares. Mais três pontos já estão sendo pensados para receberem os livros, a Feira Central, Cidade do Natal e Mercadão Municipal.

Capital ganha cabine de livros inclusiva
(Foto: Luiz Alberto)

Mudança de vidas - O sonho do vereador é transformar Campo Grande em uma cidade de leitores. Atualmente, este é o maior projeto de incentivo à leitura do país, como foi apontado na Bienal do Livro, em São Paulo (SP), na qual ele participou.

Ronilço se emociona ao lembrar de histórias e de vidas que transformou com sua determinação. “Uma das minhas manias é ‘esquecer’ livros nos vidros dos carros, de pessoas que eu nem conheço", conta. 

Uma vez, fazendo isso em um estacionamento de supermercado, recebeu uma mensagem no final do dia, no número que é disponibilizado na primeira página dos livros da Gibiteca, dizendo "eu estou com depressão, briguei com meu filho e marido, peguei todos os remédios tarja preta e ia comprar uma bebida forte para acabar com a minha vida. Quando cheguei no carro, encontrei um livro do Augusto Cury e esse livro mudou minha vida”.

Capital ganha cabine de livros inclusiva
(Foto: Luiz Alberto)

Cuidado - Ronilço Guerreiro pede a todos os campo-grandenses que cuidem das iniciativas da Gibiteca com carinho, preservando para que cada vez mais a leitura seja uma constante na vida das pessoas.

Para isso, ele pede doações de livros, que podem ser feitas na sede da Gibiteca ou nos diversos pontos de leitura, como a própria Cabine e nos terminais de ônibus. Além disso, é importante manter a rotatividade dos livros, pegando um por vez e devolvendo para o projeto.

“Livro parado não conta história”, afirma o vereador, que com simpatia anda nas lojas ao redor apresentando a Cabine aos comerciantes e clientes, incentivando a leitura.

Capital ganha cabine de livros inclusiva
A vendedora Erika Susuki aproveitou para tirar dúvidas e já levou um livro para casa (Foto: Luiz Alberto)

A Gibiteca - A sede do projeto, localizada na rua Sacramento, número 800, no bairro Jardim Seminário, fica aberta de forma permanente para todos que desejarem conhecer. O horário de funcionamento é das 8h às 11h e 13h30 às 17h.

Os gibis, ao contrário dos livros, não são para doação, apenas para leitura local. Entre o acervo do projeto, está um memorial com HQs e quadrinhos raros, como a primeira edição da "Turma da Mônica".

Além da bicicleta, o projeto conta com a "Vanteca", que leva o acervo às escolas de Campo Grande; estantes nos sete terminais de ônibus para acesso da população, que recebem, aproximadamente, 2.500 exemplares por semana.

Há a Freguesia do Livro, que leva um "carrinho" de doces recheado de livros nas feiras de Campo Grande e os Livros Carentes, na Rua Barão do Rio Branco, onde as obras ficam disponíveis para todos que quiserem lê-las e levá-las para casa.

Nos supermercados Comper também está disponível a gibicicleta, que em breve ganhará uma “cara nova”, com dois exemplares, enquanto a atual, que foi doada pelo Fábio Porchat, irá funcionar como “museu” do projeto.

Confira a galeria de imagens:

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